Não me queria tão amarga esses dias. Me queria como sempre encantada, apaixonada, esquisita. O fato é que depois que a gente aprende que a tomada dá choque, a gente evita até a parede. A gente vai atar a rede em outro lugar.
Descobri em mim um tipo de alarme de abismos, uma coisa que eu ainda não sei exatamente quando começou, mas que vem me desviando de uns e outros perrengues sentimentais. É algo que me inquieta quando tem alguma coisa errada, coisa que, na maioria das vezes, eu ainda nem sei se vai dar errado, mas que só pelo fato de estar incerta, já deu.
Quem dera que a gente pudesse acessar o amanhã e catalogar o que presta e o que não presta, quem vale a pena e quem não. A verdade é que ninguém deveria valer a pena, porque pena é uma coisa ruim pela qual não deveríamos passar. O certo seria a gente só se envolver quando o alarme de abismo não disparasse, quando a nossa alma meio que escaneasse a outra e não houvesse perigo. Mas, sabemos que não pode ser feito dessa forma. Há que se tomar o choque para então passar a evitar a tomada, ou, no meu caso, a parede toda.
A única coisa que eu sei é que de ontem em diante, eu não quero mais andar ao lado de quem anda mais rápido do que eu, ou de gente que desacelera do nada e não avisa. Tá proibido abandonar pelo caminho. Ou segue comigo e vive, ou dobra na primeira esquina e vaza.